terça-feira, 30 de junho de 2009

INTUIÇÃO

Ao lado do raciocínio, a Intuição é uma forma de utilização do cérebro humano para que, de um estalo, ele processe conhecimentos recônditos, resultando idéias originais que somente seriam alcançadas pelo raciocínio elaborado ao longo do tempo. Essas idéias novas podem ser importantes, fundamentais e transcendentais, mas podem também ser fúteis, vazias e óbvias, relativamente ao conhecimento humano da época.
Idéias notórias foram descobertas intuitivas de cérebros privilegiados, mais tarde confirmadas por elaborados raciocínios. Existem, todavia, idéias que resultaram de complexos e elaborados raciocínios, nunca antes intuídas por ninguém. Destarte, o conhecimento humano segue pelos longos caminhos tortuosos do raciocínio às vezes, mas, em outras ocasiões, sai aos saltos, queimando etapas, quando algumas centelhas intuem em cérebros privilegiados e o conhecimento aflora de forma que se poderia dizer divina. A sabedoria leva à utilização harmônica do racional e do intuitivo.

Graus de racionalidade e da intuição

Há teoria segundo a qual o raciocínio opera-se no hemisfério esquerdo do cérebro humano, enquanto a Intuição seria desenvolvida pelo hemisfério direito. As experiências revelam, todavia, que as pessoas possuem capacidades racionais e intuitivas em graus diferentes, e, além disso, algumas são mais racionais do que intuitivas e outras, ao contrário, são mais intuitivas do que racionais.

Simbologia e a Intuição

O Irmão Fernando César Gregório desmistifica em parte a Intuição, colocando-a mais próxima do seu devido lugar, de originária do cérebro humano, mas, ao mesmo tempo, afirma que a Intuição é a linguagem da alma e que na maioria dos casos expressa-se por meio de símbolos. A sua menção à alma revela a religiosidade do ilustre Irmão e o seu entendimento de Intuição indica que para ele as revelações intuitivas somente são susceptíveis de serem recebidas por iniciados.

Alma

A existência ou inexistência da alma é matéria de alta indagação que, como corolários, traria questionamentos sobre o avatar, a transmigração da alma e outros temas. Obviamente, este resumo não comportaria debates sobre esses temas. Além disso, alguns pensadores acham que a alma confunde-se com o próprio cérebro ou com a energia que dele emana. Por outro lado, muitos maçons não admitem ou admitem com restrições a existência da alma, o que levaria o debate a campo extremamente polêmico.

Símbolos

Mesmo nas suas formas mais singelas, as idéias, externadas por símbolos ou por palavras, não têm o mesmo significado para todas as pessoas e são por elas interpretados de formas diferentes. A fala por meio de sons ou as expressões escritas por meio de letras ou de símbolos levam a interpretações diferentes, apesar do esforço do homem ao longo do tempo para encontrar mecanismo de interpretação uniforme das idéias, de forma fiel, clara, justa e perfeita.
Os melhores exemplos disso são os ideogramas, chineses ou japoneses, nos quais as variações dos símbolos iniciais com o propósito de alcançar o simbolismo do pensamento mais aperfeiçoado à idéia inicial, levam à criação de milhares de novos ideogramas e a extensão cada vez maior do conhecimento, enveredando por sutilezas que transcendem a escrita e ingressam no campo da filosofia, das artes, dos sentimentos humanos, das imagens, dos sons, dos sabores, dos perfumes e dos odores, enfim de tudo o que existe no mundo, que é expresso pelos conteúdos dos novos ideogramas, construídos a partir daqueles ideogramas iniciais.

Operações com símbolos

Sejam os símbolos racionais ou intuitivos, a utilização plena do cérebro leva ao discernimento e à compreensão dos símbolos que são estudados, entendidos e utilizados por todas as ciências. É comum a expressão “interface intuitiva”, que significa que ícones são intuitivamente compreendidos e utilizados em sistemas e programas de computação. Os símbolos eletrônicos também são intuitivamente compreendidos e estudados objetivando a evolução dessa ciência.

Os símbolos esotéricos

O capítulo estudado aborda a divisão entre os conhecimentos exotéricos, que seriam os dos pequenos mistérios, e esotéricos, que tratariam dos grandes mistérios, sendo os primeiros derivados da racionalidade, podendo a todos serem transmitidos, em contraposição com os segundos, que seriam tão somente os intuitivos e que poderiam ser apenas revelados aos iniciados.
A conclusão acima parece não contar com fundamentos racionais ou mesmo intuitivos da sabedoria média universal, estando mais envolvida com o misticismo. Seria interessante conhecer melhor a questão.

Conclusões

Acreditamos que cada pessoa utiliza seu cérebro conforme a capacidade dele de operar conhecimentos racionais ou intuitivos e de produzir idéias racionais ou intuitivas e ainda que umas e outras podem ser cotejadas e conferidas, para saber-se se primeiramente ocorreu a intuição e depois o raciocínio ou, se ao contrário, o processo de conhecimento foi apenas racional, não ocorrendo a intuição.

O homem, por exemplo, intuitivamente construiu o triângulo áureo, aplicando as proporções 3, 4 e 5 aos catetos e à hipotenusa, resultando o triângulo retângulo, com o ângulo de 90º no canto oposto à hipotenusa.

O homem estava inventando o esquadro.

O triângulo áureo foi largamente utilizado nas construções antigas, para a perfeita construção dos cantos das edificações, mesmo antes do surgimento da álgebra.
Mais tarde, racionalmente, o homem deduziu a fórmula “o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos”, que se aplica ao triângulo áureo e ao esquadro, descobertas intuitivas anteriores.
Por outro lado, a ponta do esquadro, formando com uma linha o ângulo de 90º, aponta para a direção e sentido mais retos em relação à linha, indicando a retidão, a certeza e a firmeza, conceitos que fogem ao raciocínio e à intuição, inserindo-se entre os conhecimentos filosóficos ou esotéricos. Esses conceitos a respeito da essência das coisas e o seu estudo estariam situados além da razão e do discernimento.

As idéias geniais

As idéias geniais surgem da intuição ou do raciocínio puro, mas, são incrivelmente simples. As explicações cosmológicas evidenciam essa simplicidade.
Newton defendia o Universo eterno e estático.
O século XX rompeu com as estruturas estáticas do físico inglês e surgiu a teoria do astrólogo russo George Gamow, do “Big Bang”, que teria ocorrido a partir das partículas eletromagnéticas que compunham o Universo. Essas partículas teriam chegado a uma distância próxima de zero e a uma temperatura próxima da infinita, o que determinou a explosão ocorrida há 13 bilhões de anos. Segundo essa teoria, de 1948, não houve colapso, como o assinalado na teoria do Universo eterno de Newton, mas teria ocorrido uma enorme expansão do Universo.
Mais recentemente, há cerca de 30 anos, o físico carioca Mário Novelho lançou outra teoria que contradiz as anteriores, afirmando que o Universo é eterno, mas dinâmico e em constante mutação.
O físico brasileiro acaba receber o título de doutor “honoris causa” da Universidade Claude Bernard de Lyon, na França, pela idéia de que “o Universo é eterno e está em constante mutação”. Essa honra somente havia sido deferida ao inventor da bomba H, o russo Andrei Sahkarov.

Deus

Respondendo à pergunta da revista “Isto é”: O Sr. acredita em Deus? Assim se expressou o físico brasileiro: “Acho uma arrogância imaginar que o Universo não possa ser entendido como uma estrutura divina.”. E acrescentou: “Gosto de pensar que Deus é o próprio Universo e que somos uma coisa só, uma única estrutura, o estofo comum para tudo, com formações diferentes e regionalizadas.”